
Com o intuito de proporcionar as mais ambiciosas infra-estruturas hoteleiras ao crescente número de visitantes aquistas, turistas e seus acompanhantes, bem como à própria família real e aos seus convidados, visitantes habituais da região, em busca dos efeitos terapêuticos das famosas águas minerais do Vidago.
O hotel ficaria implantado no cimo da mata florestal e o acesso decorreria através de teleférico, à semelhança do Bom Jesus, em Braga. Contudo, este projecto revelou-se extremamente dispendioso e a “Empreza de Águas de Vidago”, detentora da exploração das águas, acaba por ordenar a obra à Empresa Construtora do Porto. O projecto inicial foi adaptado por António Rodrigues da Silva Júnior, tendo sido orçamentado em cerca de 300 contos de reis, ainda assim uma verba astronómica para a época.
No empreendimento interviram personalidades de destaque da finança e da política como os Condes de Mendia e de Caria, dos banqueiros Fonseca, Santos e Vianna e do conselheiro Teixeira de Sousa, último Presidente do Conselho de Ministros da Monarquia.
Assassinado no início do mês de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos não chegou a ver o projecto tomar forma. Por ironia do destino, o mesmo aconteceu com o seu filho e sucessor D. Manuel II, que foi deposto pela revolução republicana em 5 de Outubro de 1910 – na véspera da data prevista para a inauguração do Vidago Palace.
Embora nunca tenha acolhido os seus reais hóspedes, o Vidago Palace tornou-se um dos destinos favoritos da aristocracia portuguesa e europeia, tendo sido considerado o hotel mais luxuoso da Península Ibérica.
Relato publicado na altura pela “Ilustração Portuguesa”: “Havia, em cada andar, uma secção de banhos de imersão e duche. Além disso não há sala ou quarto, na enorme vastidão do edifício, que não tenha telefone, comunicando com a central, que fazia as ligações, com o pessoal da casa ou qualquer outra sala ou quarto. Os telefones representando uma inovação em hotéis portugueses, constituem uma raridade mesmo em hotéis no estrangeiro”.
“Numa das cozinhas vê-se um corpulento fogão de moderno fabrico, em que pode cozinhar-se para 500 pessoas, com caldeiras de pressão, que chegam para abastecer de água quente os banhos de todos os andares. O trem de cozinha, em cobre, é de 3000 quilos de peso”.
Em 1936, o Vidago Palace foi enriquecido com a abertura de um percurso de golfe de 9 buracos, projectado pelo famoso arquitecto escocês de campos de golfe Philip Mackenzie Ross. Graças à arquitectura notável do Palace, à paisagem luxuriante e às propriedades supostamente curativas das suas termas de água mineral, o Vidago Palace continuou a atrair visitantes, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando Portugal se manteve relativamente estável e neutral.
A era do pós-guerra viu a fama do Vidago Palace aumentar com a chegada de famílias da alta sociedade ao resort nas décadas de 50 e 60 para desfrutarem de chás dançantes e de passeios no parque.
Embora se mantivesse bem conhecido dos visitantes portugueses, o Vidago Palace foi perdendo o brilho com o decorrer do tempo e a sua reputação internacional de um dos grandes destinos termais do mundo foi-se permanecendo apenas na memória.
Agora, com um novo proprietário e uma nova gestão, a lenda do Vidago Palace renasceu.
100 anos após a sua inauguração, o Vidago Palace foi recuperado graças ao trabalho desenvolvido pelos premiados arquitectos de interiores José Pedro Lopes Vieira e Diogo Rosa Lã, e enriquecido com um requintado spa projectado pelo arquitecto reconhecido internacionalmente Álvaro Siza Vieira. Juntos, reconstituíram uma era de esplendor através de uma meticulosa restauração complementada por um luxo moderno. Graças aos seus esforços, e aos da empresa gestora, a GLA Hotels, o Vidago Palace pode orgulhosamente reivindicar a sua posição de hotel europeu de luxo e de resort de golfe e termal de nível internacional.
